No antigo lugar do Poiso, seguidamente designado de Pouso, local regenerador de forças, depois dos quebra-costas que permitem chegar a “este mundo maravilhoso”, consolidou-se a Quinta da Pousada, na Cumieira – Santa Marta de Penaguião, num topónimo modernizado para incutir nos viajantes a oferta de um lugar de descanso, nas viagens cansativas, na então chamada Estrada Pombalina sobre a qual se construiu outra, da segunda metade do século XVIII, e onde, praticamente, nenhuma outra se construiu até meados do século seguinte, hoje integrada na Estrada Nacional N.º 2, que atravessa Portugal de Norte a Sul.
A primeira légua da estrada Vila Real – Régua só haveria de ser inaugurada em 1855, em plena Regeneração, trinta anos após a morte da figura de referência relacionada com a propriedade, António Teixeira Rebelo, nascido no lugar de Silhão, freguesia da Cumieira, a 17 de Dezembro de 1750, filho de uma modesta família que se dedicava à agricultura. Com 14 anos foi incorporado no Regimento de Artilharia de Valença, tendo ingressado na Academia Real da Marinha (1780) onde foi aluno brilhante, início de uma carreira militar a todos títulos exemplar. Sendo a folha de serviços deste militar extensa, limitamo-nos a referir o essencial. Foi ministro de Estado dos Negócios de Guerra, o fundador (1813) e primeiro diretor do Real Colégio Militar (Colégio Militar). Assinou vários trabalhos apresentados na Sociedade Real Marítima Militar e Geográfica, de que era membro distinto. António Teixeira Rebelo subiu todos os postos da hierarquia militar, e chegou ao topo (general), acabando por merecer o título honorífico de marechal, em 1820, falecendo em Lisboa em 6 de Outubro de 1825.
Assente num lugar paradisíaco, a Quinta da Pousada, no topo de subidas extenuantes, era local onde os viajantes podiam descansar, ou pousar o carreto e usufruir de dormida e alimentação, aproveitando para amparar o bucho dos animais, e, ou aprimorar as ferraduras degastadas no xisto.
Seria um dos locais de escala da diligência, que assegurava o transporte do correio e dos passageiros, na região do Douro, transporte interrompido em 1804 devido às invasões francesas e posterior guerra civil, só retomado muitos anos mais tarde. Negócio onde marcou posição, em finais do século XIX, Manuel Alves da Silva Cosme, proprietário da Nova Viação do Minho e Douro que adquiriu, em 1886, a Nova Viação Transmontana, com carreira entre a Régua e Chaves, com escritório no Largo Luís de Camões, em Vila Real. Mais tarde, quando o caminho-de-ferro (a linha do Corgo começou a operar em 1906) e depois o próprio automóvel começaram a fazer declinar o negócio das viagens de diligência, funda a Viação Cosme, que, entre outras atividades, alugava trens para certas ocasiões especiais, como casamentos, festas, funerais, etc.
A propriedade, que se manteve na posse da família Teixeira Rebelo, durante muitos anos, havendo notícia de que os seus proprietários, nos anos setenta do século XX, ainda viviam, de entre outros bens, dos rendimentos da “Quinta de Pousada”, reforça a informação que Manuel Monteiro, dá na sua obra “O Douro”, mencionando que os seus edifícios vinícolas, para o preparo de uma centena de pipas, eram modernos.
A Quinta da Pousada, agora com novos proprietários, mantém o espírito de convivência do antigo Poiso e de onde os visitantes alcandorados no planalto sobre o rio Aguilhão, usufruem de aprazível descanso e daí possam observar a lenda da moura encantada que, como refere a mesma, “apareceu sentada numa mesa sobre as águas daquele rio”.
Um destino turístico de eleição para todos aqueles que querem explorar a vinha e o vinho, com traços reveladores da herança duramente construída pelos agricultores durienses. Com uma localização que permite aos hóspedes um contacto único com as vinhas da propriedade, um espaço que respira tradição, onde podes desfrutar de uma experiência única.
Os apreciadores de vinho, podem encontrar uma gama de atividades de enoturismo, podendo degustar o tradicional vinho generoso e outros vinhos da região do Douro, além de poderem deliciar-se com o azeite e os doces tradicionais da região.


